Um bocado da minha história:
“As letras foram e são uma das minhas grandes paixões, além de uma fonte constante de alegria e inspiração! Sempre gostei, de ler, de escrever, de poesia e da língua portuguesa em si. Também me interessei por aprender a ler e a falar outras línguas, como inglês e francês, além de ter bom ouvido para espanhol e ter tido a oportunidade de ser iniciada em sânscrito também.
Linguagens simbólicas então, nem se fala, sempre amei. Foi arrebatadora a paixão que tive pela astrologia – sistema simbólico completo para a leitura e interpretação da vida de uma pessoa a partir do mapa planetário de nascimento – a qual me dediquei com tanto interesse que aprendi a ler e interpretar ainda bem jovem, entre os 18 e os 24 anos.
Além disso sempre fui totalmente fascinada por estar só comigo mesma, estar em silêncio, em contato o que não é visível, mas sensível, em contato com o que não está na superfície mas com o que está no fundo, nos bastidores, por de trás das coisas. Qualidade esta de introspeção que me permitiu estar livre para a leitura e para a dedicação a astrologia, inicialmente e mais tarde para a meditação. Depois descobri também a beleza da astrologia védica, que além de fornecer leitura e interpretação para mapas astrológicos, também dá uma série de dicas sobre uso de pedras preciosas para o reequilíbrio energético da pessoa. Aí a paixão pelo assunto foi total, já que desde sempre curti os cristais e pedras para meditações.
Em contraste com um outro aspecto da minha pessoa ativa e comunicativa, que apesar de falar bastante no telefone, num bate papo, pelo computador, e durante as minhas aulas, (enquanto era aluna e depois quando virei professora), e de gostar de estar com bastante gente trocando idéias e convivendo socialmente, bater em retirada em busca do que estava lá mais longe, mais distante, mais afastado, na periferia das atenções também sempre me atraiu, me levando incialmente a mudar facilmente de cidades, e me levando invariavelmente as horas de silêncio, com o meu ser interior. Buscava essencialmente, uma vida mais refinada, mais celestial, mais cósmica, mais bela, mais pura e dexintoxicada.
Foi assim, que aos 21 anos, morando em Belo Horizonte, aprendi a meditar. De volta ao Rio, minha terra natal, mergulhei em retiros de meditação onde realmente você pode explorar a realidade imanifesta e ilimitada da sua consciência. Daí continuei em outros cursos relacionados: assembléia de sidhis, curso da ciência da inteligência criativa. E antes mesmo de me formar na faculdade de Letras aos 24, passei 4 meses e meio em um lindo Hotel em Itamonte sul de Minas, fazendo um curso de instrutora de meditação. Isto ocorreu em 89.
Logo depois, em 90 me formei em Letras, onde uma das últimas coisas que li na Faculdade foi uma citação de Shakespeare que me encheu de inspiração. Li ali: “o resto é silêncio”. Silêncio que ao longo dos anos de se mostrou ser a fonte de tudo, dos sons, das formas, e das letras.
O silêncio é o silêncio interior, a morada mesmo das leis da natureza que criam e recriam o universo, é a morada dos impulsos de inteligência que mantém ordem e progresso, e a evolução de todas as coisas. O silêncio é a morada dos devas (impulsos de inteligência criativa da natureza), e não à toa o alfabeto de sânscrito é chamado de devanagari, morada dos devas.! Sempre prontos a nos servir quando visitamos sua morada, o silêncio interior, nosso ser interior, em meditação profunda.
Tendo me formado em Letras em 90 e como professora de meditação em 89, mergulhei profundamente, no que havia buscado sempre: silêncio interior, conhecimento védico, entendimento sobre a fonte de nossa consciência humana, sua trajetória de desenvolvimento e sua meta de crescimento.
Assim, fascinada pela dinâmica interna da consciência e pela vida interior me mudei para o paraíso: Lagoa da Conceição em Florianópolis, Santa Catarina em dezembro de 90. Desde o curso de instrutora em 1989 até 1997 quando fui para os Estados Unidos passar 6 meses meditanto-em um grupo de coerência-, ensinei bastante gente a meditar, traduzi um sem número de pesquisas científicas sobre a meditação, escrevi outro sem número de artigos sobre meditação para os jornais além de traduzir simultaneamente vídeos, conferencistas, professores, e grupos de meditação.
Foram 2 anos da mais pura alegria, em Florianópolis, já estava formada em Letras e estava me experimentando como professora de Meditação. Adorando tudo: as praias maravilhosas, os cursos, os alunos, os jornais, as noites de luar na lagoa, a ilha absolutamente maravilhosa. Um sonho e um desejo profundo estavam sendo realizados: viver bem junto à natureza. Sem dúvida a ilha de Santa Catarina foi o cenário mais do que ideal para esse momento da minha vida. Lindíssima e abundante em beleza natural.
Dali para Curitiba foi um pulo, terra da minha família paterna Albuquerque Maranhão. Foram mais 4 anos expandindo muitíssimo tudo que havia começado em Santa Catarina: as traduções, os artigos para os jornais, as entrevistas para a televisão, produções de vídeo, e principalmente “sussurrando o infinito” para centenas de pessoas em cursos e mais cursos na Associação Médica do Paraná, além de cursos residenciais de final de semana.
Paralelo a isso, nestes anos – 1993 a 1996 – passei sempre entre 2 e 3 meses nos EUA num grupo de meditação perto de Nova York, onde aprofundava em muitas horas diárias a arte de meditar em paz. Era chamado grupo de coerência onde uma centena de pessoas participavam em cursos variados, praticando um nível mais avançado de meditação.
Em 1997 passei 6 meses meditando neste grupo, para depois voltar para o Rio de Janeiro. Foi algo como um doutrorado em meditação. Atualmente, tudo isso continua… Os cursos são ministrados em minha residência e também em outros locais. Atualmente, várias vivências estão ocorrendo tanto em Penedo quanto em Teresópolis.
Além disso, também me dedico à pesquisa dos pontos de contato entre as línguas indígenas brasileiras, o sânscrito e o português. Mantenho grande interesse em história do Brasil e sua formação inicial que incluiu não só os conhecidos contatos com África e Portugal, mas também com a Índia, o Japão e a costa oeste e arábica, no contexto da expansão marítma portuguesa. Estou empenhada em pesquisas sobre nossas possíveis conexões e heranças advindas da terra da meditação, do yoga e do ayurveda (Índia) e das outras culturas milenares, (Japão, Arábia)!
Isto também me me inspirou a um trabalho de pesquisa em astrologia histórica relacionando, a história brasileira, o antigo regime e o império português à simbologia astrológica. Mantenho também as consultas astrológicas. Sem dúvida todo esses anos de prática de meditação e ensino tem expandindo inclusive minha consciência histórica-familiar e de nação- o que venho a acrescentar e muito em minha evolução. Não há evolução espiritual sem conhecimento histórico e sem inserção social, política e cultural em uma nação. Quem busca a espiritualidade deve manter-se ligado na vida que corre ao lado, na vizinhança, no cotidiano, no aqui e agora!
Assim, continuo mantendo também um estilo de vida com meditação, rotinas ayurvédicas. Rio, 2009!
Adrias
Adriana de Albuquerque Maranhão











